Chico Whitaker
   
 
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Na Igreja
 
Saudação a D.Paulo Evaristo Cardeal Arns
2010-11-27
Texto de saudação feita em nome dos leigos da Arquidiocese de São Paulo na comemoração do 65o. aniversário da ordenação sacerdotal do Cardeal D.Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito dessa Arquidiocese, em celebração eucarística na Catedral de São Paulo, no dia 27 de Novembro de 2010.
Disponivel somente em português
 
 
Amigos e amigas,
Fui honrado pelo convite para dizer algumas palavras nesta comemoração da ordenação sacerdotal de D.Paulo Evaristo Arns, pelos leigos da Arquidiocese e em especial pelos leigos que tiveram o privilégio de trabalhar com ele lá na Avenida Higienóplis. A todos peço licença para me exprimir em seu nome.
Ao participar em 1965 do planejamento pastoral da CNBB, que atualizava a Igreja do Brasil com os ensinamentos do Concilio do Vaticano II, compreendi que a Igreja que renascia nesse Concilio era composta por bispos, padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas, como Povo de Deus, cada um com sua função mas todos como servidores, corresponsáveis pela sua missão. E que uma das dimensões dessa missão – talvez o maior desafio que o Concilio nos lançou – era a de contribuir efetivamente para transformar o mundo, para que nele impere a justiça, a paz e o amor.
Quando eu e Stella acompanhávamos, fora do Brasil, o que se passava em nosso país sob o regime militar, víamos Dom Paulo se destacando entre os Bispos que se opunham a esse regime, por sua extrema coragem, especialmente na luta contra a tortura dos que aqui resistiam – “Tortura nunca mais”. Fiel ao Concilio, animou as diferentes pastorais, chamou e inspirou leigos para compor a Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz. E colocando-se destemidamente à sua frente, deu-lhes total apoio, tornando-a um dos mais fortes bastiões da luta pelos Direitos Humanos e pela redemocratização do país.
Ao voltarmos do exílio D.Paulo nos acolheu, de braços abertos, como um casal de leigos, para participarmos dessa caminhada da Arquidiocese, junto ao seu Secretariado de Pastoral e ao seu Colégio de Bispos. Ele nos incumbiu de prestar serviço às CEBs. Sua opção preferencial era a de apoiar essas comunidades de leigos, que se levantavam como sujeitos de seus destinos, nas suas diferentes lutas, ouvindo a palavra de Deus, nos recantos mais pobres e longínquos da nossa São Paulo. Por esse trabalho, que tanto nos enriqueceu espiritualmente, nunca agradeceremos suficientemente.
Não vou aqui me prolongar enumerando tudo que testemunhamos da ação de D.Paulo, sempre nos empurrando, com seu quase refrão “Coragem”, para que nós leigos da Arquidiocese assumíssemos plenamente, e ecumenicamente, nossas responsabilidades como cristãos e como cidadãos.
Só lembraria de uma entrevista coletiva, no lançamento da Campanha de Fraternidade de 1996, sobre Fraternidade e Política, aqui nesta Catedral. Disse então aos jornalistas, que estranhavam essa clara entrada da Igreja na seara política, uma frase que não canso até hoje de repetir: não fazer política é a pior forma de fazer política.
Muito obrigado, D.Paulo. Esta Catedral, cheia como tantas vezes naqueles tempos, nos relembra as inúmeras vezes em que sua palavra firme enfrentava os poderosos, levantava nossas esperanças – esperança sempre - e ecoava fundo em nossos corações. Em nome dos leigos desta Arquidiocese, nosso muitíssimo obrigado.
Chico Whitaker, 27 de novembro de 2010